Grooming e aliciamento on-line: celular com conversa e escudo de proteção, capa do artigo da ALLIATI

Grooming, ou aliciamento, é uma das ameaças mais sérias da vida digital, e uma das mais silenciosas. Não começa com uma ameaça, mas com atenção, elogios e “amizade”. Neste artigo explicamos o que é grooming no contexto social e no contexto criminal, como o aliciamento acontece, os sinais de alerta, o que diz a lei brasileira e o que famílias, escolas e empresas podem fazer para proteger crianças, adolescentes e colaboradores.

O que é grooming (aliciamento)

Grooming é uma palavra em inglês que, no sentido original, significa “preparar” ou “cuidar da aparência”. No sentido usado neste artigo, é o processo gradual de manipulação em que alguém conquista a confiança de uma pessoa, cria dependência emocional e quebra as defesas dela para, no fim, explorá-la.

O ponto central é que o aliciamento parece uma relação boa. O aliciador se apresenta como alguém que entende, apoia e dá atenção. Por isso a vítima, principalmente uma criança ou um adolescente, muitas vezes não percebe que está sendo manipulada.

Grooming no contexto social

No contexto social, o termo descreve qualquer manipulação de longo prazo baseada em confiança. A mesma lógica aparece em situações diferentes:

Em todos esses casos, o padrão é o mesmo: confiança, isolamento, segredo e, por fim, exploração.

Grooming no contexto criminal: o aliciamento de crianças e adolescentes

No contexto criminal, grooming é o aliciamento de crianças e adolescentes para fins sexuais. Hoje ele acontece principalmente on-line, onde o criminoso pode criar perfis falsos, fingir ter a mesma idade da vítima e conversar com ela a qualquer hora, sem que os adultos por perto percebam.

Os ambientes mais usados são os que as crianças e os adolescentes mais frequentam:

Como o aliciamento costuma acontecer

Conhecer as etapas ajuda pais, professores e os próprios jovens a reconhecer o problema cedo:

Como o aliciamento acontece: aproximação, confiança, isolamento e segredo, quebra de limites e chantagem

É importante deixar claro para a criança ou o adolescente: a culpa nunca é da vítima. Quem sofre chantagem deve pedir ajuda, e não ceder à pressão.

Sinais de alerta para pais e escolas

Nenhum sinal sozinho prova que algo está acontecendo, mas vários juntos pedem atenção e uma conversa tranquila:

O que diz a lei brasileira

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no artigo 241-D, define como crime aliciar, assediar, instigar ou constranger uma criança, por qualquer meio de comunicação, com fins sexuais. O mesmo vale para quem facilita ou induz o acesso da criança a material pornográfico com esse objetivo.

Em agosto de 2026, a Lei 15.487/2026 endureceu as regras: a pena do aliciamento de menores de 14 anos passou a ser de 3 a 5 anos de reclusão e multa, com aumento de um terço a dois terços quando o criminoso usa inteligência artificial, deepfake ou filtros para se passar por criança ou adolescente (Agência Senado). A lei também passou a tratar como material de abuso o conteúdo gerado ou manipulado por inteligência artificial.

Já o ECA Digital (Lei 15.211/2025), em vigor desde 17 de março de 2026, cria obrigações para redes sociais, jogos e aplicativos usados por crianças e adolescentes, como mecanismos de supervisão pelos pais e mais proteção por padrão, com fiscalização da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (OAB-SP).

Como proteger crianças e adolescentes

Diálogo em primeiro lugar

A proteção mais eficaz é uma relação de confiança. Converse sobre o que eles fazem on-line, sem julgamento, e combine uma regra simples: adulto que pede segredo é sinal de alerta. Deixe claro que eles podem contar qualquer coisa, sem medo de castigo.

Configurações e controle parental

Proteção na rede da casa e da escola

Filtros de conteúdo no roteador ou no firewall, DNS com bloqueio de sites impróprios e antivírus atualizado reduzem a exposição. Em escolas, os tablets e notebooks dos alunos podem ser gerenciados com MDM, que controla aplicativos, sites e configurações de forma centralizada.

O que fazer se suspeitar de aliciamento

O papel das empresas e das escolas

Empresas e escolas também fazem parte da proteção. Escolas, clubes e empresas que oferecem Wi-Fi para alunos, visitantes ou famílias precisam de filtro de conteúdo e de uma política de uso. Quem desenvolve aplicativos, jogos ou plataformas usados por menores precisa se adequar ao ECA Digital, junto com a LGPD.

Dentro das empresas, vale lembrar que o “grooming corporativo” existe: criminosos passam semanas ganhando a confiança de um colaborador antes de aplicar o golpe. Foi assim no ataque hacker à Binance, que, segundo a empresa, começou com falsas entrevistas de emprego. Treinar a equipe para desconfiar de pedidos urgentes e sigilosos, conferir por outro canal e nunca compartilhar senhas é a defesa mais simples, e uma das mais eficazes. Veja também as ameaças de cibersegurança de 2026.

Como a ALLIATI pode ajudar

A ALLIATI ajuda escolas e empresas a criar um ambiente digital mais seguro: firewall com filtro de conteúdo, gestão de dispositivos (MDM), antivírus corporativo, monitoramento 24/7 e assessoria de TI para definir políticas de uso e treinar as pessoas.

Perguntas frequentes

O que é grooming?

Grooming, ou aliciamento, é o processo em que alguém conquista aos poucos a confiança de uma pessoa para depois manipulá-la e explorá-la. O termo é mais usado para o aliciamento de crianças e adolescentes para fins sexuais, principalmente pela internet, mas a mesma lógica aparece em golpes, relacionamentos abusivos e ataques de engenharia social contra empresas.

Grooming é crime no Brasil?

Sim. O Estatuto da Criança e do Adolescente (art. 241-D) define como crime aliciar, assediar, instigar ou constranger uma criança, por qualquer meio de comunicação, com fins sexuais. Em 2026, a Lei 15.487 aumentou as penas e criou um agravante para quem usa inteligência artificial, deepfake ou filtros para se passar por criança ou adolescente.

Como saber se meu filho está sendo aliciado na internet?

Fique atento a sinais como segredo excessivo com o celular, um novo “amigo” mais velho que ninguém conhece, presentes ou créditos em jogos sem explicação, uso do aparelho de madrugada, apagar conversas e mudanças bruscas de humor. Nenhum sinal sozinho prova algo, mas vários juntos pedem uma conversa tranquila e atenção.

Onde denunciar aliciamento de crianças na internet?

Na SaferNet Brasil (new.safernet.org.br/denuncie), de forma anônima; no Disque 100, gratuito e 24 horas; e na delegacia, de preferência especializada em crimes cibernéticos ou de proteção à criança. Em caso de risco imediato, ligue 190. Guarde as provas antes de bloquear o perfil.

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Fontes: Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei 8.069/1990; Agência Senado, “Lei aumenta penas para crimes sexuais contra crianças na internet”, 07/08/2026; OAB-SP, “ECA Digital entra em vigor”, 27/03/2026; SaferNet Brasil; Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Disque 100.