Inteligência artificial e energia: parque eólico e data center, capa do artigo sobre o potencial do Brasil

Inteligência artificial e energia passaram a andar juntas. Cada pergunta feita a um assistente de IA, cada imagem gerada e cada modelo treinado depende de data centers que consomem eletricidade em escala gigantesca. Por isso, o futuro da IA virou também uma discussão sobre energia. E, nesse cenário, o Brasil tem uma vantagem rara: uma matriz elétrica majoritariamente renovável, que já atrai bilhões em investimentos internacionais em data centers. Neste artigo explicamos essa relação, os investimentos anunciados e a visão do governo brasileiro sobre o tema.

Inteligência artificial e energia: por que a preocupação

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers consumiram cerca de 415 TWh em 2024, o equivalente a 1,5% da eletricidade do mundo. A projeção é que esse consumo mais que dobre até 2030, chegando a cerca de 945 TWh, com a inteligência artificial como principal motor. A demanda de energia dos data centers dedicados à IA deve mais que quadruplicar no mesmo período.

Não é à toa que até Elon Musk afirma que o maior limite para a IA é a energia elétrica, e não os chips. Os desafios são três:

O potencial do Brasil em energia renovável

É aqui que o Brasil se destaca. De acordo com o Balanço Energético Nacional 2026, da EPE, 86,8% da eletricidade gerada no país em 2025 veio de fontes renováveis, com destaque para hidrelétricas, eólica e solar. Eólica e solar, sozinhas, já respondem por 26,4% da geração. No mundo, hidrelétricas, eólica e solar somaram cerca de 29% da eletricidade em 2024, segundo a Ember.

Inteligência artificial e energia no Brasil: matriz elétrica renovável, consumo dos data centers e investimentos anunciados

Além da matriz limpa, o país reúne outros atrativos para data centers:

Inteligência artificial e energia: usina de Itaipu e painéis solares, a força da energia renovável do Brasil
Itaipu Binacional e energia solar: a escala da energia renovável brasileira. Fotos: International Hydropower Association, Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0; painéis solares: StockSnap, CC0.

Data centers no Brasil: baixo risco de desastres naturais

Um data center precisa funcionar 24 horas por dia, todos os dias, por décadas. Por isso, o risco de desastres naturais pesa muito na escolha do país. E aqui o Brasil leva vantagem: segundo a consultoria Cushman & Wakefield, a natureza geológica do país tem baixo risco de desastres naturais em comparação com outros países da América Latina.

Isso não significa risco zero. Enchentes, como as do Rio Grande do Sul em 2024, e secas que reduzem a geração das hidrelétricas exigem escolher bem o local e planejar fontes de energia redundantes. Mas, comparado a polos de data centers expostos a terremotos, tufões e furacões, o Brasil oferece uma base mais estável para a infraestrutura digital.

Investimentos internacionais em data centers no Brasil

As gigantes de tecnologia já colocaram o Brasil no mapa. Entre os anúncios mais relevantes:

Segundo o Ministério das Comunicações, os data centers devem receber cerca de US$ 3 trilhões em investimentos no mundo, e o Brasil desponta como destino na América Latina.

Investimentos nacionais em data centers

Não são só as gigantes estrangeiras. Operadoras de data center que nasceram ou cresceram no Brasil, empresas nacionais de energia e o BNDES também estão investindo pesado:

O BNDES virou um aliado importante do setor, financiando máquinas, equipamentos e expansão de data centers com linhas ligadas à política industrial Nova Indústria Brasil.

A visão do governo brasileiro

O governo federal trata os data centers como peça estratégica para a economia digital e a soberania de dados. A principal medida é o Redata, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, criado pela Lei 15.504, de 15 de setembro de 2026:

Um dos objetivos é trazer os dados dos brasileiros para perto: segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 60% desses dados estão hoje armazenados fora do país. O Ministério das Comunicações defende que o Brasil tem potencial para se tornar um hub mundial de data centers e trabalha em uma Política Nacional de Data Centers. Completa o cenário o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê cerca de R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028 para pesquisa, infraestrutura, capacitação e uso de IA nos serviços públicos.

Burocracia: o risco de o Brasil perder o momento

Se a natureza ajuda, a burocracia atrapalha. O capital para data centers de IA é global e tem pressa: as empresas escolhem onde construir de acordo com a rapidez para ter energia, licenças e regras claras. E, nesse ponto, o Brasil ainda é lento:

O risco é real: cada mês de atraso é uma janela que se fecha. Outros países também disputam esses investimentos, e um data center que não sai do papel aqui é construído em outro lugar, levando junto empregos, tecnologia e arrecadação. Na corrida entre inteligência artificial e energia, transformar o potencial energético em investimento depende de o Brasil ser tão rápido quanto é renovável.

Os desafios no caminho

Além da burocracia, outros pontos ainda geram debate:

O que isso significa para a sua empresa

A equação entre inteligência artificial e energia vai definir onde a nova economia digital vai crescer. Mais data centers no Brasil tendem a trazer serviços de nuvem e IA mais rápidos, com dados armazenados no país, sob a LGPD, e mais opções de fornecedores. Para aproveitar essa onda, a sua empresa precisa estar preparada:

Perguntas frequentes

Por que a inteligência artificial consome tanta energia?

Porque treinar e rodar modelos de IA exige milhares de processadores trabalhando sem parar em data centers, que também precisam de refrigeração. A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo dos data centers no mundo deve mais que dobrar até 2030, chegando a cerca de 945 TWh.

Por que o Brasil é atrativo para data centers de IA?

Porque tem uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo: 86,8% da eletricidade gerada em 2025 veio de fontes renováveis, segundo a EPE. Somam-se a isso o território amplo, o potencial de vento e sol do Nordeste e um grande mercado consumidor.

O Brasil é um lugar seguro para data centers?

Do ponto de vista natural, sim. O país fica no centro da placa tectônica Sul-Americana, quase não tem terremotos fortes, não tem histórico de tsunamis relevantes nem vulcões ativos, e furacões são raríssimos. Enchentes e secas ainda exigem cuidado na escolha do local.

O que é o Redata?

É o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, criado pela Lei 15.504/2026. Ele suspende tributos federais na compra de equipamentos para data centers, em troca de contrapartidas como usar energia renovável ou de baixa emissão, oferecer ao menos 10% da capacidade ao mercado nacional e investir em pesquisa e desenvolvimento.

O que os data centers no Brasil mudam para as empresas?

Mais infraestrutura de nuvem e IA no país tende a significar serviços mais rápidos, dados armazenados sob a legislação brasileira, como a LGPD, e mais opções de fornecedores. Para aproveitar, a empresa precisa de uma TI organizada, segura e preparada para a nuvem.

Conte com a ALLIATI

Quer preparar a sua empresa para a nuvem e a inteligência artificial, com segurança e uma infraestrutura de TI que acompanha o crescimento? Fale com um especialista da ALLIATI.

Fontes: IEA, Energy and AI, 2025; EPE, Balanço Energético Nacional 2026; Ember, Global Electricity Review 2025; Lei 15.504/2026 (Redata); Ministério da Fazenda, set/2026; Ministério das Comunicações, jan/2026; Microsoft, set/2024; DCD, AWS, set/2024; Governo do Ceará, dez/2025; InvestNews, Oracle, out/2025; Teletime, Ascenty, mai/2026; Governo do RS, Scala AI City; BNDES, Scala; BNDES, Tecto; BNDES, Modular; Cushman & Wakefield; Agência Brasil, set/2026; NeoFeed; Conjur, ago/2026; Cenário Energia, set/2026; Diário do Comércio.